sábado, 15 de maio de 2010

O MUNDO DOS HOMENS

Os olhos contemplam sem se cansar.
O que afinal há de novo?
Que segredo é capaz de suster este gesto?
O gesto imutável de olhar.

A luz se acende e se apaga, como o pulsar de um coração.
É tão pequeno, quase invisível.
E vejam só, há dentro um segredo.

Um segredo que nasce e espera.
Que vive, que rí e que chora.
Que cresce, sonha e se apavora.
Que espera de novo e então vai embora.

E os olhos contemplam, sem se cansar.
É a eternidade espiando.
Espiando a ferida chamada de tempo.
Onde bactérias humanas a tornam dorida.

Da dor, sobe então um gemido.
Confuso, resignado, enfraquecido.
A terra treme, é febre, é calafrio.
O vírus de sua cura caminha lento. Células que não assimilam sua natureza.
Que produzem a cada dia igual rotina.

Desequilíbrio, desigualdade, rebeldia.
Sob o olhar impassível, petrificado.
Que contempla, simplesmente contempla.
Sem se cansar.

É a eternidade espiando, suspirando apaixonada.
Desejando compartilhar deste segredo.
Que nasce, que vive, que rí e que chora.
Que sonha, esmiúça e tudo transforma.
Até ser incontrolavelmente atraído.
Pelo olhar que contempla, sem se cansar.

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