quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ciclos e Caminho


Estamos em 2012, mais um ano, como
todos os anos, mais uma vez tento me livrar da idéia que, sinto como se sobre
mim fosse repetidamente lançada, de que, aqui, se inicia algo novo, um novo
ciclo, uma nova chance, um novo desafio. Não, não quero e nem devo me sentir
assim, embora saiba que ciclos são reais, que chances são necessárias e que
desafios sempre brotarão à minha volta, por serem inerentes a natureza da vida.
Um ciclo, porém, aponta para algo
completo, algo que foi delineado por um começo, por um durante e também um fim,
e certamente, não poderia colocar a suposta roupagem, deste referido ciclo,
sobre o corpo, por mais simples que fosse de qualquer dos sonhos ou projetos
que estivesse vivenciando, pois no decorrer deste ciclo, as chances se
misturaram às perdas e conquistas e os desafios se multiplicaram, distanciando
esses mesmos sonhos e projetos, da calmaria desejável de um fim almejado.
Foi sim, o fim de um ano, 2011. O
calendário, porém, já foi retomado, e nós prosseguimos. E clamamos todos os
dias, ansiando pelo maná, que nos alimenta, que nos fortalece, que nos capacita
para continuarmos fazendo o que cremos ser o que Deus nos colocou em mãos para
fazer. Foi um tempo de trabalho e aprendizado. Os frutos deste trabalho e
aprendizado, se já existem, devem ser analisados, naturalmente, à luz do
presente, para as devidas e possíveis correções que se façam necessárias. E
sempre há correções, pois somos limitados, humanamente incapazes de reter na
integralidade o conhecimento compreendido.
É confortante saber que não estou só,
que posso olhar á minha volta e ser fortalecido por um sorriso encorajador, por
uma palavra de consolo, de exortação, por um abraço acolhedor ou até mesmo um
olhar, simplesmente, que transmita o poder da unidade que há no corpo de
Cristo, Sua igreja. Enquanto compreendermos e valorizarmos este princípio
maravilhoso de amor e unidade, não nos desfaleceremos, pela violência das adversidades,
ainda que o inimigo seja incansável. Não nos deixaremos enganar, dando ouvidos
á mentiras que acalentam nosso ego e entorpecem nosso espírito, nos levando a
palmilhar veredas e atalhos que só nos distanciam da trajetória original, cujo
mapa foi escrito com sangue, não o nosso, cuja comissão foi proferida pelo
Senhor Jesus, não por um dos apóstolos.
Mas, graças á Deus, porém, há um
caminho, mesmo agora, por Ele tracejado, que nos aponta e direciona cada uma de
nossas ações para o alvo cativador dos nossos anseios, esforços e motivação,
que é obediência e missões. Há milhões, que esperam ouvir o que anjos não podem
anunciar, que esperam ver, o que criaturas comuns não seriam capazes de
vivenciar. E lá na linha de frente, onde a batalha se faz mais intensa, ou na
retaguarda, onde estratégias e planejamentos são indispensáveis, há muito que
fazer, neste contexto, onde suor e alegria andam de mãos dadas, onde lágrimas e
gratidão, não se apartam, e onde a interpretação mais forte do evangelho capaz de
tocar e transformar vidas se revela no existir de pessoas que não fazem
reivindicações, pois, já entregaram tudo, não esperam reconhecimento, pois já
vislumbraram seu prêmio, não aspiram á reinos terrenos, pois, são, e sabem que
são cidadãos do céu, não se perdem no caminho, pois conhecem a voz do Pastor.
Amar é preciso, amar á Deus acima de
todas as coisas, amar o próximo como a nós mesmos. Amarmo-nos uns aos outros,
como Ele nos amou.
Para que, nisso, reconheçam todos
que dEle ouvirem, que somos de fato seus
discípulos e que pregamos em Seu nome. O ciclo está aberto, há um coração
batendo constante e insistentemente por missões, há uma voz clamando
apaixonadamente por corações que se entreguem á esta causa. O ciclo está
aberto, ele só se encerrará quando não houver mais em lugar algum debaixo do
céu, um coração que não tenha sido colocado diante da escolha eterna. João 13:
20.

Nós, mestiços...

Ao estudar os
fatos, analisar o histórico de cada elemento que se inseriu como componente
para a formação e atual composição social, política e religiosa desta imensa
terra chamada América Latina, não podemos deixar de pensar, que, assim como
alguém já especulou, que, crer na teoria do “Big Ben”, ou seja, que uma suposta
explosão, culminaria, depois de muitos acasos, em uma tão complexa e perfeita
máquina biológica, onde tudo que se move, se encaixa em perfeito e assombroso
equilíbrio, isso seria então, fazer o caminho inverso, em uma igual teoria, se
especulássemos que poderia ser uma realidade sadia, viçosa, equilibrada, o
presente de um aglomerado de nações, em cuja origem se encontrasse tanto
desajuste, tanta distorção, tanto veneno em todas as áreas, em todos os níveis.
Socialmente,
encontramos nações, que conquanto proclamem seu anseio por liberdade e até se
unam em torno de um objetivo comum em determinadas reivindicações, dentro de
suas fronteiras, seus mais bem dotados, exercem a força, para mais uma vez,
oprimirem, e a seu próprio sangue. E isto é veneno presente em todas as
gerações. Os fortes, se encaixam como
herdeiros de seus conquistadores e predadores, os fracos, não conseguem se ver
como tendo direito aos manjares de suas conquistas.
Essa opressão
é estabelecida através da política, onde, como num grande tabuleiro, forças
maiores, e sempre há uma força maior, fazem mover as peças, para que esses
mecanismos, tentáculos políticos, não importa que nome recebam, cumpram um
objetivo maior, que é, e sempre será, manter sobre estes povos, e aqui
analisados, latinos, um manto de ignorância quanto ao valor do ser, o que de
fato conseguem, pois nós, como povo, com tantas marcas hereditárias de
violência, abuso, injustiça, tudo isso praticado por gerações, de igualmente,
desajustados emocionais e sociais, então, que outro retrato se poderia revelar,
se não este, o de um povo com sentimentos de inferioridade, com uma amargura
entranhada na alma, contra toda presença estrangeira, acompanhada de uma
subserviência quase inevitável.
Então,
assistimos aqui e ali, alguns atos, que aparentam à primeira vista, um
vislumbre de entendimento e apego á princípios de liberdade, de igualdade, de
justiça social. No entanto, consolidado o poder nas mãos dos que erguem tais
bandeiras, tudo, novamente, se desemboca em opressão, refletida nas ditaduras,
em exploração que acompanha os movimentos populistas e, em fome e miséria, que
é a ferida exposta em cada parte do corpo desta imensa América.
Em verdade, o
antídoto que em qualquer parte do globo, poderia ser a cura para tais
enfermidades, sociais e políticas, ironicamente veio como agente de incursão,
entre outros, que trouxeram a America Latina toda a mudança pelo que passou e
na qual se tornou, mas, lamentavelmente, o remédio já veio adulterado. Sim, a
religião, que trazida para apresentar
aos nativos um reino de amor, fez dobrar diante dos invasores, os
joelhos, antes livres, de milhares de nações, apresentando-lhes um deus tirano,
parcial, sanguinário, cujas palavras não faziam sentido, leis que não
compreendiam. E a esses deuses eram obrigados a prestar adoração. E por isso
passaram a invocar seus próprios deuses com os nomes dos novos deuses.
E assim foi se
formando esta terra, os que antes eram puros, se mesclaram, sem perceber, na
passagem do tempo, que sua identidade étnica, cultural, ia se distanciando de
sua origem. Lembrando com tristeza, dos que também, simplesmente deixaram de
existir pelo atropelo das transformações e das novas regras
De tudo isso,
o que ficou pra nós hoje, latino- americanos, é que somos todos nós, com raras
exceções, um povo mestiço, de variadas crenças, costumes e tradições, que se
misturam, se colidem, sem, no entanto, produzir fagulhas que ocasionem um
grande conflito.
Afinal,,somos reconhecidamente, um povo pacífico, e talvez,
porque não, ... seja essa a nossa mais forte e atual expressão de identidade.