quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Nós, mestiços...

Ao estudar os
fatos, analisar o histórico de cada elemento que se inseriu como componente
para a formação e atual composição social, política e religiosa desta imensa
terra chamada América Latina, não podemos deixar de pensar, que, assim como
alguém já especulou, que, crer na teoria do “Big Ben”, ou seja, que uma suposta
explosão, culminaria, depois de muitos acasos, em uma tão complexa e perfeita
máquina biológica, onde tudo que se move, se encaixa em perfeito e assombroso
equilíbrio, isso seria então, fazer o caminho inverso, em uma igual teoria, se
especulássemos que poderia ser uma realidade sadia, viçosa, equilibrada, o
presente de um aglomerado de nações, em cuja origem se encontrasse tanto
desajuste, tanta distorção, tanto veneno em todas as áreas, em todos os níveis.
Socialmente,
encontramos nações, que conquanto proclamem seu anseio por liberdade e até se
unam em torno de um objetivo comum em determinadas reivindicações, dentro de
suas fronteiras, seus mais bem dotados, exercem a força, para mais uma vez,
oprimirem, e a seu próprio sangue. E isto é veneno presente em todas as
gerações. Os fortes, se encaixam como
herdeiros de seus conquistadores e predadores, os fracos, não conseguem se ver
como tendo direito aos manjares de suas conquistas.
Essa opressão
é estabelecida através da política, onde, como num grande tabuleiro, forças
maiores, e sempre há uma força maior, fazem mover as peças, para que esses
mecanismos, tentáculos políticos, não importa que nome recebam, cumpram um
objetivo maior, que é, e sempre será, manter sobre estes povos, e aqui
analisados, latinos, um manto de ignorância quanto ao valor do ser, o que de
fato conseguem, pois nós, como povo, com tantas marcas hereditárias de
violência, abuso, injustiça, tudo isso praticado por gerações, de igualmente,
desajustados emocionais e sociais, então, que outro retrato se poderia revelar,
se não este, o de um povo com sentimentos de inferioridade, com uma amargura
entranhada na alma, contra toda presença estrangeira, acompanhada de uma
subserviência quase inevitável.
Então,
assistimos aqui e ali, alguns atos, que aparentam à primeira vista, um
vislumbre de entendimento e apego á princípios de liberdade, de igualdade, de
justiça social. No entanto, consolidado o poder nas mãos dos que erguem tais
bandeiras, tudo, novamente, se desemboca em opressão, refletida nas ditaduras,
em exploração que acompanha os movimentos populistas e, em fome e miséria, que
é a ferida exposta em cada parte do corpo desta imensa América.
Em verdade, o
antídoto que em qualquer parte do globo, poderia ser a cura para tais
enfermidades, sociais e políticas, ironicamente veio como agente de incursão,
entre outros, que trouxeram a America Latina toda a mudança pelo que passou e
na qual se tornou, mas, lamentavelmente, o remédio já veio adulterado. Sim, a
religião, que trazida para apresentar
aos nativos um reino de amor, fez dobrar diante dos invasores, os
joelhos, antes livres, de milhares de nações, apresentando-lhes um deus tirano,
parcial, sanguinário, cujas palavras não faziam sentido, leis que não
compreendiam. E a esses deuses eram obrigados a prestar adoração. E por isso
passaram a invocar seus próprios deuses com os nomes dos novos deuses.
E assim foi se
formando esta terra, os que antes eram puros, se mesclaram, sem perceber, na
passagem do tempo, que sua identidade étnica, cultural, ia se distanciando de
sua origem. Lembrando com tristeza, dos que também, simplesmente deixaram de
existir pelo atropelo das transformações e das novas regras
De tudo isso,
o que ficou pra nós hoje, latino- americanos, é que somos todos nós, com raras
exceções, um povo mestiço, de variadas crenças, costumes e tradições, que se
misturam, se colidem, sem, no entanto, produzir fagulhas que ocasionem um
grande conflito.
Afinal,,somos reconhecidamente, um povo pacífico, e talvez,
porque não, ... seja essa a nossa mais forte e atual expressão de identidade.

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