segunda-feira, 22 de julho de 2013



                                    Drogas, Um Caminho de Dor

          Ele foi erguido do chão como um galho seco.
E como outros galhos ele foi arrastado.
Os que o ergueram não perceberam, não perceberam que, o que fazia seu corpo tremer não eram calafrios causados pela ânsia e pela necessidade física de uma última dose, de uma picada talvez.
Ninguém sequer notara que o que fazia seu corpo agitar-se como se uma febre o consumisse, era uma simples, mas violenta comoção. Que vinha do mais profundo do seu ser, que o fazia derramar-se como um menino, em prantos e soluços , ao olhar para os corpos, que como o dele, eram carregados.
Seus amigos, queridos, companheiros, amados.
Chorando na alma, ele falava consigo;
- Éramos pequenas flores, nascidas em jardins, aprazíveis ou não.
Éramos pequenos nobres, a viver cheios de alegria e vida, no pulsar maravilhoso, de um anseio natural e vivo dentro de nós. E como crianças que éramos, celebrávamos cada momento a vida e a beleza de todas as cores, de todos os sons, das infindáveis descobertas, dos espantos que nos paralisavam, dos folguedos que nos enchiam de prazer.                
Recebíamos e dávamos amor na proporção em que nos era ensinado o valor de tal sentimento e sobre a vereda onde ele poderia florescer.
          No entanto, em algum canto esquecido e escuro deste imenso castelo de sonhos, no qual crescíamos, fomos surpreendidos e nos deixamos levar. Seduzidos por uma suave brisa, que nos acariciou, enquanto mentia sobre a realidade de nossas limitações, enquanto nos alimentava com doces doses de veneno, e que, finalmente, ao percebermos que nos faltava algo no qual nos equilibrar, lançou sobre nós toda a fúria de sua real personalidade.                                                           
Não era uma brisa, era um vendaval.
          E fomos arrastados por correntes que nossas próprias mãos seguravam.              E ficamos como que achatados. Vermes desprezíveis, indesejáveis, fugindo dos olhares que nos miravam compassivos, mas que refletiam dentro de nós o que realmente eram.                                                                                       
Açoites á castigar nossa derrota.
          Entorpecidos e desabados em nosso resquício último de vontade e vigor, nos permitíamos tão somente subir nas escarpas doloridas de nossas lembranças, fechar os olhar, e só então olhar.                              
Olhar o tempo que nos empurrou e nos empurra, ver quebrados em suas ondas algo que já foi um dia em nós, renovo.                                                  
Olhar entristecido os fragmentos, dos sonhos, dos desejos esquecidos, que vagando agora, nas ondas silenciosas dos dias já passados, nos fazem chorar e cerrar os olhos envergonhados, pois, nos acenam os fragmentos e em suas mortalhas parecem chorar conosco, enquanto pensamos vir deles a voz de lamento. É, no entanto, dentro de nós, que num campo esquecido, onde guardados como desterrados perpétuos, nosso próprio sangue e nossa própria vida, esperam, mortalmente silenciosos, como epitáfios numa tumba desconhecida.                                                             
Esperam um sono que não chegará.
          E vagamos então entre as lápides que apontam nossas mortes, ornamentando com as flores da autocomiseração as vítimas do nosso próprio medo.
         E olhamos à nossa volta, buscando sem esperança de encontrar, uma força amiga que nos faça erguer para um novo dia, uma nova chance para começar de novo. Sem as amarras do passado, que nos tornam fracos, sem a expectação mórbida do futuro, que nos faz vulneráveis.                              
E em nossas mentes, constantemente atormentadas pelas sentenças proferidas em cada olhar que nos observa , procuramos achar algo ou alguém sobre o qual lançar a cada dia o enorme peso que nos esmaga, sem, contudo, ao aponta um alvo, sentirmos descanso ou alívio na alma.
          Ao percebermos que as vozes, as imprecações, os risos, o desprezo, os vereditos mascarados, mas, impiedosamente condenatórios e todas as formas mímicas e verbais de tortura se encontram e fazem morada na arena camuflada de nossa sanidade.                                                            
Então voltamos vencidos, aos cantos escuros dos nossos castelos de sonhos e nos deixamos mais uma vez seduzir.                                             
Esperando inconscientemente sonhadores, que seja a última carícia, que seja o último prazer.
Pois há uma porta fechada.
Nós não sabemos como abrir.
                      



          

Brasil, Pátria Querida


                       
                               B R A S I L  ,  P Á T R I A  Q U E R I D A

     Terra amada, por seus filhos amada.
Quando então corriam livres e formavam nas estrofes do tempo, com sua
liberdade e vigor as rimas de alegria e exuberância da eterna poesia da
vida.
Terra amada, e por estranhos violada.
Só viram nela o valor que se arranca.
A beleza que se comercializa.
A riqueza que se desperdiça.
Não a amaram como terra querida. Mas ela os recebeu com honras.
Diante deles, em salvas sublimes, se entregou sem reservas.
Revelou seus segredos e deu-lhes quinhão na herança de seus filhos.
Mas eles, cruéis, arrogantes, obrigaram-na a conhecer a dor, quando ela
lhes oferecia a alegria e a fartura.
Obrigaram-na a se despir de seus ornamentos, quando ela lhes dedicava a
beleza de sua formosura.
Sim, cruéis e arrogantes, de perversos e corrompidos corações, estéreis de
sentimentos nobres.
Não lhes comoveu o sorriso que os recebera.
Nem foi capaz de tocar suas emoções a simplicidade e a franqueza do
amor que os abraçara.
Tiranos, sua realização e glória se alimentaram da vergonha e da dor dos
que por eles foram subjugados.
Almas doentes, que se obstinam em buscar seu poder na imposição de
humilhações e afrontas contra os simples que habitam em paz.
Insensatos, um dia saberão que a força do verdadeiro poder se alimenta
da justiça e quando então se perceberem feitos reféns deste poder, a
justiça lhes acenará com o mesmo rigor com que se fizeram deuses.
Serão forçados a olhar por sobre os próprios ombros e saberão que
habitaram como intrusos numa terra querida, que por seus filhos era
amada, mas que por eles foi desonrada.
E lhes sugaram como vampiros a seiva de seu vigor. E a despiram, e a
marcaram, enquanto a chamavam de mãe gentil.
Ela, porém, os amou sempre.
E esperou que despertassem de sua ambição cega, que percebessem sua
generosidade imparcial, sua inesgotável tolerância e se voltassem de suas
ações insanas, para enfim amá-la e honra-la como mãe gentil.
Para cuidar de seus filhos  e lavar suas feridas, feridas que eles mesmos
lhes fizeram.
Eles olharão por sobre os próprios ombros e compreenderão o porque de
terem possuído uma existência tão vazia, tão desprovida de razão, tão
mesquinha e infeliz.
Afinal desprezaram toda forma de vida.
Se fizeram surdos a todo o clamor do coração...
E enquanto feriam a terra, arrancando dela e de seus filhos a vida,
não percebiam em sua avidez insensível, que eles passariam.
Ela, porém, seria sempre Brasil,

uma terra amada, e por seus filhos querida.