terça-feira, 17 de abril de 2012

C O R A Ç Ã O S E M D E U S

Há um mundo terrível, desconhecido de todos os conhecidos pesadelos.
Há um lugar hostil, nascente de todos os venenos, manancial onde florescem as ervas mais amargas e destruidoras.
Reino soberano e adorador de toda forma sequer imaginável de egoísmo e crueldade.
A justiça não o influencia e nem é capaz de colocar dentro dele caminhos novos.
A piedade, ele a olha com desprezo e o mais próximo que lhe permite chegar é em sua embaixada, na qual a recebe e até lhe dá por algum tempo hospedagem, mas, em vindo seus príncipes e nobres, já não há para ela lugar. Não em seus aposentos reais.
Coração humano, coração sem Deus, tortuosa vereda, por inconfiáveis sombras, governado.
Os opostos tomam assento dentro dele. Seus capitães são cegos, mas suas espadas ferozes, insaciáveis. Ódio injustificável, fúria descontrolada.
Onde está a fronteira? Pergunta a razão. Onde os limites? Indaga o espanto.
A morte acena como última esperança. Mas por favor, suplica. Sem dor, sem afronta. Só o silêncio, só o esquecimento.
Até as feras param de matar quando sua fome é saciada.
Mas o coração é general impiedoso e o entendimento, embaixador sem poder, mensageiro sem boas-novas.

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